O SONHO
Dormia apenas
por dormir, assim como na natureza. Sonhava com inúmeras coisas ao mesmo tempo.
Me era um sono prazeroso, tanto quanto o é comer por conta do paladar sem que a
fome sequer esteja acerca, ou beber água de sanga para simplesmente sentir-se
mais próximo do ventre terreno. Revirava-me sozinho na cama de casal sem ter
noção das horas.
Os sonhos são,
sem dúvida, muito mais do que se imagina. Sonhamos com amigos que há muito não
vemos, e no dia seguinte lá estão eles, telefonando, ou passando por nossas
vidas. Se não me engana a memória, sonhava com uma paisagem pitoresca,
pastoril, com suaves manifestações psicodélicas que deixavam-na surreal, como
todo o sonho tem a obrigação de ser. Rostos conhecidos, rostos esquecidos,
mudanças rigorosas de cenário e de percepção de tempo e espaço. Nada de
aflições pesadelares ou desprazeres inúteis. Apenas o momento acariciando a
mente.
Entretanto, uma
voz sutil esbarrou em meus ouvidos de maneira tão suave que me despertou a
consciência sem que meus músculos acordassem. Repetiu, sussurrando, duas vezes
meu nome. Era como se fosse o vento relatando a leveza de meu sono à solidão a
qual o acompanha fielmente. Situação esta a qual me levou a recordar de outra
passada, há bastante tempo, em que também acordei antes de meu corpo físico.
Entre lembranças e devaneios percebi que podia enxergar mesmo que estivesse impossibilitado
de erguer as pálpebras, o que é bem delicado de se tentar explicar, portanto,
não irei me aprofundar. Eu via meu